Projeto Meninos em Serra Negra

projeto meninos

antes dos homens, os meninos.

este projeto tem como uma de suas bases o Projeto Meninos — iniciativa do Instituto PdH, que investiga a formação emocional de meninos a partir de pesquisa, escuta e prática.

a partir dessa referência, nasce aqui uma proposta de piloto local em Serra Negra, construída em diálogo com o campo aberto pelo Instituto PdH e ampliada por outras experiências, metodologias e práticas de trabalho com masculinidades, educação e cuidado.

o Projeto Meninos do Instituto PdH abre uma pergunta essencial:
como os meninos estão aprendendo a existir no mundo?

esta proposta em Serra Negra dialoga com o debate ampliado sobre o Projeto Meninos — presente em pesquisas, iniciativas do Instituto PdH e no documentário em produção — e propõe uma aplicação estruturada no contexto escolar.

entender esse contexto com mais profundidade.

parte do que aparece mais tarde começa muito antes.

o que vemos hoje

as escolas já estão lidando com isso.

meninos com dificuldade de lidar com emoções, conflitos que não se aprofundam, comportamentos agressivos ou desregulados.

temas importantes aparecem — mas muitas vezes de forma pontual.

o desafio não é reconhecer o problema.
é como trabalhar com ele.

contexto

a lei nº 14.164/2021 estabelece a obrigatoriedade de trabalhar a prevenção da violência contra a mulher no currículo escolar.

isso amplia o papel da escola na formação de relações mais respeitosas desde cedo.

mas muitas vezes falta método, formação e sustentação para esse trabalho.

origem

trabalhando com homens ao longo dos anos, foi ficando difícil não voltar o olhar para trás.

para a infância. para os primeiros silêncios. para o que começa a ser ensinado cedo — muitas vezes sem palavra, mas já em forma de regra.

este piloto em Serra Negra nasce desse retorno e tem como uma de suas referências centrais o Projeto Meninos do Instituto PdH.

a proposta local não parte do zero: ela se constrói em diálogo com essa base, somando outras referências, práticas reflexivas e experiências de trabalho com homens, meninos, escolas e cuidado.

nossa leitura

a socialização masculina começa cedo.

muitos meninos aprendem que:
não podem demonstrar fraqueza, precisam ser fortes o tempo todo, sentem coisas que não sabem nomear.

sem espaço, isso não desaparece.
só muda de forma.

essa conversa também aparece na paternidade. no texto paternidade e cuidado , faço uma leitura do relatório da equimundo sobre pais, cuidado, presença e a pressão que ainda recai sobre os homens para prover.

como funciona

nesta proposta de piloto local, não se trata de uma ação pontual.
é um processo.

diagnóstico → sensibilização → formação → trabalho com meninos → sustentação

fundamentação

esse trabalho não nasce do zero.

ele se apoia em três pilares que se complementam: a base conceitual das masculinidades, a escuta e os dados produzidos pelo Projeto Meninos do Instituto PdH e metodologias práticas de facilitação e grupos reflexivos.

a base conceitual vem do trabalho de paul kivel, autor de trabalho dos homens, que investiga como a socialização masculina começa na infância e molda a forma como meninos aprendem a existir no mundo.

é também desse campo que vem o conceito da caixa dos homens, que ajuda a compreender como muitas regras sobre força, silêncio, dureza e controle começam cedo.

uma das bases centrais de escuta e dados vem do Projeto Meninos — iniciativa do Instituto PdH, que reúne percepções, pesquisas e experiências com meninos em diferentes contextos.

o trabalho também dialoga com o documentário do Projeto Meninos e com o campo que ele ajuda a abrir: a necessidade de olhar para os meninos antes que tudo isso apareça mais tarde, já endurecido, nas relações e na vida adulta.

e a metodologia se constrói a partir dos grupos reflexivos — espaços guiados de conversa, escuta e elaboração, já aplicados com homens adultos e aqui adaptados para a realidade das escolas.

essa mesma pergunta sobre cuidado, presença e masculinidade aparece também na vida adulta. ler o texto sobre paternidade, cuidado e o relatório da equimundo .

etapas

diagnóstico
começamos entendendo a realidade da escola a partir de alunos e educadores.

sensibilização
abrimos o tema com a comunidade escolar.

formação
aprofundamos o trabalho com educadores e responsáveis.

trabalho com meninos
criamos espaços de escuta e reflexão com foco em emoções, relações e identidade.

sustentação
acompanhamos, avaliamos e consolidamos o processo.

abordagem

não atua apenas no comportamento.
atua na origem.

combina base conceitual, escuta e metodologia prática.

não é uma ação isolada.
é um processo contínuo.

outro campo

enquanto esta proposta olha para a formação emocional de meninos desde a infância, outro campo do meu trabalho acompanha homens adultos em situações de cuidado, adoecimento e luto.

esse trabalho acontece, por exemplo, no grupo de homens do instituto ana michelle / casa lavanda, um espaço de acolhimento reflexivo para homens atravessados pela doença grave, pelo cuidado e pela perda.

de um lado, a pergunta sobre como os meninos aprendem a existir.
de outro, a escuta de homens adultos diante da vulnerabilidade, do limite e da necessidade de cuidado.

começar

podemos começar com um piloto.

um grupo, um ciclo reduzido, uma primeira leitura da escola.